sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O que não te disse, confessei ao rio.


O que não te disse, confessei ao rio.
A corrente levou as palavras que tinha para te dizer para bem longe!
Pedi-lhe para me levar também para longe de ti.
- tempo ao tempo, amigo...






quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Entre o Sono e Sonho



Entre o Sono e Sonho

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O Marcio / Silva Escura / Cabreira


Eu falava-lhe da Serra da Lapa, da nascente do Rio Vouga, 
Ele falava de uma cascata deslumbrante a Cabreira em Silva Escura.
Corpo franzino grande por dentro.
Tinha todos os sonhos...
Marcio quando vejo uma cascata lembro-me de ti amigo.

'' Morre jovem o que os Deuses amam ''
  

sábado, 10 de dezembro de 2016

Talvez aqui longe dos meus dias




Talvez aqui longe dos meus dias
Pudesse permanecer moderadamente feliz
Sem perspetivas ridicolas ou ambições desnecessárias
Se encontrar o amarelo verdes e vermelhos,
Voltarei para pintar de novo as cores o que hoje vi.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Quando estou contigo.


Sei os sentidos e a força das tuas correntes,
as pedras seguras por onde caminhar,
as cores e tendencias ao longo das estacoes.
a tua beleza é maior que qualquer montanha.
Sabes, sinto-me bem quando estou perto de ti.



Outunal


Rio Teixeira / 8.12.216


Outunal

Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago...

Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor...

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"