sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lavrar a Terra




Por orgulho honra e persistência acontece todos os anos.
Lavrar a terra para não deixar a monte ao desleixo.
Gente rude e humilde,
Rasgam a terra com parelhas de bois e arados de pau.
Terra que liberta odores por á muito não respirar.
Lavrada sangra como cortes nas veias desta gente.
Até não poderem mais...
 
 


8 comentários:

  1. É uma experiência que tenho todos os anos ao ajudar o Ti'Manel a lavrar as vinhas. Passou uma vida atrás do arado e de uma junta de vacas amarelas. Rasgar a terra e sentir o cheiro da terra é um prazer que quero continuar a ter.
    Aos antigos lavradores deste Portugal, retratados na tua fotografia, descansem e na medida do possível desfrutem da pequena reforma que vos foi atribuída por uma vida dura de trabalho!

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  2. ... aquilo era um brinco de terra bem tratada, com os muros cuidados e sem silvas a cobri-los, toda aproveitada - muma parte e num ano com milho, no ano a seguir com trigo ou centeio ( que enchiam aquelas arcas enormes e depois dava aquele pão meio escuro, que quando saía do forno se comia ou com açucar ou com manteiga...); outra tinha ( terá...) os castanheiros, vinha - que dava aquele vinho morangueiro que se bebia com os enchidos do porco feitos no inverno... - macieiras - daquelas que perfumam uma casa... - uma pereira enorme - ...custavam a roer ... - um mostaigeiro, batata, erva para as vacas, uma pequena "casa", tão desprovida e rude, mas que se enchia de vozes ora fortes mas alegres( a do meu pai...) ora meio zangadas ( a do meu avô ..) ora de pura algazarra ( a da Lena, da Dina, a minha, a dos meus irmãos )... quando era a época de arrancar a batata ...aquele tanque alimentado pela água do poço ali à beira da casa, bem fria e dura...aquela terra lavrada por uma junta vacas malhadas ( " anda lá Bonita, anda lá Preta...")com ele de mão firme no arado e sempre a a inventivar ora a Laura, ora as vacas...
    Um abraço Nuno

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  3. Tantas vezes fui em cima do carro de bois da Preta e da Bonita, com a Dina até à lagoa...
    "Onde andará a Xana?! Deve andar com a neta da Luz!"
    Beijo da Xana

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  4. Quem quer bem sempre aparece... já me tinha perguntado se a Madeira te tinha raptado de vez...e já tinha perguntado por ti ao Arménio.
    E hoje faço uma confissão... não sei, acho que nunca soube o teu nome próprio.. perdoa-me...mas para mim és e serás sempre, com alguma vergonha,mas muito carinho e ternura, a " Bichana"...
    Um beijo meu e da Cristina que pergunta pelo teu rebento...

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  5. E mais uma vez, me levas a passear... aos meus tempos de criança, quando estes momentos vivi na quinta do meu tio João...
    Obrigado por estes momentos tão belos e tão raros...
    Bom fim de semana
    Abraço

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  6. A Madeira não me raptou... no Natal, na Páscoa e em Agosto estou na Lapa. É uma Lapa diferente. O Agosto era muito melhor, quando chegava a família da "tia" Luz, da tia Madalena e os "franceses" da terra... agora está sempre cheio de pessoas as quais a verdadeira Lapa não diz nada!
    Sorte a nossa... a Lapa diz-nos Muito!
    Chamo-me Clara Alexandra, mas podes chamar-me de "Bichana" e envio beijos para a Família da "tia" Luz.

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  7. Olá Alexandra
    ...como já deste conta eu, já nem em Agosto... e se as saudades são imensas...
    ...mas conjugando aquilo que o Nuno já referiu e que tu agora referes, a Lapa deve estar muito diferente... bem tento adivinhar, mas acho que não consigo ...
    ...certo é que gostava de estar convosco.
    Aliás - e coloco isto à consideração de todos - em conversa com o Manuel Cardoso, ele sugeriu que se marcasse um dia para aqueles a quem a Lapa diz muito se encontrasse na Lapa e "matar" saudades...
    Eu, primeiro, vou ter que arranjar coragem...
    Beijos

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