segunda-feira, 26 de abril de 2010

Carregal Sernancelhe

Há muitos anos atrás as idas ao Carregal eram qualquer coisa de terrível para mim e para todos os Silva Correia, aqueles sábados de manha! A mãe tinha de chamar pelo menos uma centena e meia de vezes pelos meninos, o João enfurecido a olhar para o relógio apitava, apitava e apitava na velha Ford até que lá íamos para mais um dia de trabalho no campo!
Hoje o Carregal encanta-me pela carga simbólica que tem e por toda a beleza que não conseguia ver quando era pequeno.

3 comentários:

  1. Nesta época começava a plantação das batatas, o semear dos feijões... eu acompanhava os homens até ao meio dia e depois vinha fazer o almoço. arrumava a cozinha e regressava com os homens ao trabalho. Havia sábados que fazia birra e decidia não ir até ao Carregal, não era para me escapar às lides do campo era para fazer limpezas na Lapa.
    O trabalho era duro mas agora sinto saudades...

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  2. Que belas recordações :) adorei as fotos e o texto acompanhou com perfeição!

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  3. Nuno,
    Na verdade não éramos meninos!
    Não vão pensar os teus leitores que lá em casa se praticava trabalho infantil!
    Cedo nos tornamos “homens” de trabalho e ajudantes do João Ferreiro e da Filomena que trabalharam uma vida inteira para que nada faltasse lá em casa.
    Crescemos e aprendemos a lidar com a terra e em particular com as vinhas, do João Ferreiro, que eram bem tratadas e das quais se produzida o néctar da “Fonte do Soito”, que era vendido na mercearia e taberna da Filomena que mais tarde se transformou no café Romarias da Lapa.
    Que fique registado no teu blog e, modéstia à parte, eu fui o expert no trabalho e lides com o “burro”! Nesse tempo, as vinhas estavam um brinco, na regada da quinta produziam-se batatas e milho em abundância, na doiroana colhia-se uma grande quantidade de fanegas de centeio, as matas andavam limpas …
    Não tenho propriamente saudades do Carregal, no entanto, eu gosto do campo, criei-me no campo e tenho saudades do campo que vou colmatando indo ao campo.

    Um grande abraço para todos os Correias ou será melhor Silva Correias,
    Arménio

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