sábado, 26 de março de 2011

A raposa




Hoje e nos últimos dias uma raposa saiu do refugio das grutas da serra, as mesmas que descobria-mos quando éramos crianças, olhávamos atentos as arvores enquanto desenhávamos na nossa cabeça a construção suspensa nos ramos, fazíamos fisgas de giesta e armas de sopro, descobríamos novos riachos que nunca ninguém vira antes, dávamos gritos em cima de penedos e esperávamos atentos pelo seu eco, a raposa e o lobo esse nunca o vimos mas certamente estava por lá, não na minha rua a remexer lixo á procura de alimento.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Lindo Dia









  Sai de bicicleta desci a Serra da Lapa, passei pela Tabosa do Carregal logo na saída encontrei este velho casario revestido a madeira e chapa fina, mais umas pedaladas cheguei a Vila Cova, campos de malmequeres e arquitectura interessante, subi até Caria,  por Caria a cima, por caria a baixo destacasse a fachada branca da igreja e torre sineira a escadaria da capela e algumas casas maravilhosas, mais umas pedaladas e cheguei á Lapa um por do sol deslumbrante e a lua cheia do outro lado a ligar a luz da noite

terça-feira, 15 de março de 2011

Às vezes



Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,

Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

Alberto Caeiro

terça-feira, 1 de março de 2011

A hora da partida




A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen