terça-feira, 15 de julho de 2014


Porque apareces tu nos meus sonhos?
Se quando acordado estamos distantes.
Se algum envolvimento porventura existiu,
foi apenas na fracção de tempo de um olhar prolongado.
Sai dos meus sonhos, deixa-me dormir, deixa-me continuar.
Afinal foi apenas um olhar prolongado...


terça-feira, 8 de julho de 2014

Constancia


Caminhei, caminhei quando me disseram que era possível te poder vir encontrar.
Mas tu nunca apareceste! Terei eu de caminhar, caminhar até ao outro lado da Terra junto ao mar.
Quem não ama esta morto, sonho com o teu amor, é esse sonho que me mantém vivo, fraco continuarei até te encontrar quem sabe...




segunda-feira, 7 de julho de 2014

O Guardador de Rebanhos.




O Guardador de Rebanhos.

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela

Alberto Caeiro




quarta-feira, 2 de julho de 2014

Inês



Inês

Todo o poeta ou escultor
Todo o actor ou escritor
Sonha um dia amar assim
Sonha ter alguém para si

Todo o cantor, compositor
Largava tudo por este amor
Por um dia amar assim
Por um beijo num banco de jardim

Mas o amor não é para qualquer um
Ser artista não é uma vantagem
Os artistas amam um dia
Vendo amor apenas de passagem

Quando o poeta sentir a dor
Da mais antiga história de amor
Só então vai entender
Porque Inês amou até morrer

Mas o amor não é para qualquer um
Ser artista não é uma vantagem
Os artistas amam um dia
Vendo amor apenas de passagem

Vendo amor apenas de passagem ...

terça-feira, 1 de julho de 2014

 
A minha força, a minha motivação, a minha alegria, espero nunca vos decepcionar o que têm feito por mim nao é mesurável. Obrigado.
 
 

Madalena do Mar

 
 
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.


E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.


Sophia de Mello Breyner Andresen