sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Se Eu Pudesse



Se Eu Pudesse

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...


O Guardador De Rebanhos
Alberto Caeiro
08-03-1914

7 comentários:

  1. Olá, Nuno!

    Já, ontem à noite, li este poema, que, conheço, tal como vi a a foto. SÃO ABRAÇOS DADOS COM BRAÇOS FORTES E SINCEROS? Parece (falo da fotografia).
    Voltarei para "conversarmos".

    Bom sábado, com afetos, MUITOS!

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  2. Ora, cá estou eu, tal como prometi. Em Lisboa chove torrencialmente, e claro luz "não" há. Amanhã, é outro dia, decerto diferente, para melhor, QUERO!

    Fernando Pessoa é considerado um dos maiores poetas portugueses, e embora não faça bem o meu género literário, tenho de lhe reconhecer muito valor e talento.
    Estou, mentalmente, a visualizar a foto dele com aqueles óculos, redondinhos, que o simbolizaram, e, de facto, é poeta, pensador, intelectual, é, em minha discutível opinião.

    Este poema é um poema de EQULÍBRIO, porque nem sempre o mal está atrás da porta. A vida só tem sentido com as duas faces e muitas fases. Não entendo, ou melhor, entendo e muito bem, por que motivo homens e mulheres riquíssimos, geralmente com arte, seja de que ramo/área for, põem termo à vida, mas antes, tiveram muito sexo, NÃO AMOR, drogas e rock and roll (não sei se está bem escrito), se têm tudo
    (graças a Deus que não pertenço ao "grupo. Escrevo umas "coisinhas", mas ainda não me deram a volta à cabeça). Nem vale a pena enumera-los, porque são muitos, infelizmente. Pois, o tudo é que lhes faz mal e a falta de AFETOS, também.
    "O que é preciso é ser-se natural e calmo", diz Caeiro, e sem dúvida alguma, ele tem imensa razão.

    Um bom domingo, Nuno!

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  3. Na Lisboa de Fernando Pessoa chove, é natural veio no tempo certo como as estações. Se amanha chover de novo tente enquadrar a chuva no seu dia como uma mais valia, afinal a chuva ou água são vida. Fernando Pessoa é qualquer coisa de invulgar e maravilhoso.
    Naturalmente vá traçando o seu caminho, escreva nos tempos mais calmos dos seus dias, se um dia entender partilhe esses afetos que tem consigo.

    Boa semana, Céu!

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  4. Que comentário terno e lúcido, NUNO! Tanto para dar...!!!!!!!!!!!!!!!

    Obrigada pela sugestão. É bom termos amigos, mesmo que virtuais.

    Hoje, continua a chover, mas a minha vida profissional e não só, irão continuar, se Deus o permitir. E aí, como está o tempo?

    Uma boa semana, com muitos afetos Alguns irão de Portugal, pode estar certo.

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  5. Lucidez e ternura é o que a Céu tem espalhado por aqui ao longo dos últimos dias, não sei o que tenho para dar será suficiente para a tentar prender por aqui por algum tempo.
    Aqui esteve um dia estranho, vi cinzentos carregados outros nem tanto, espaços azuis e brancos e raios de luz a entrar pelo escritório dentro, estes os pontos agradáveis do meu dia.
    Tudo o que vem desse Portugal são afetos, a Céu tem enviado alguns e chegam mesmo cá, consigo senti-los.
    Boa Semana.

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  6. Veremos, meu querido amigo. Eu não sou bruxinha, e se o fosse seria uma bruxinha boa.
    Então, aí, esteve um dia polifacetado, embora estranho. Amanhã, será diferente.

    QUE BOM! EU NÃO SABIA QUE TINHA TANTOS PODERES DE EMANAÇÃO E O NUNO DE RECEÇÃO. Só temos de ficar muito contentes.

    Bons sonhos, com muita LUZ.

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