terça-feira, 2 de dezembro de 2014

"É preciso mais do que um olhar para poder ver."





"É preciso mais do que um olhar para poder ver." 

O corcunda de Notre Dame

6 comentários:

  1. Olá, querido Nuno!

    Olhando à majestosidade da fotografia que tão bem fez, devo acrescentar que, por vezes, passamos distraídos ou apressados, sobretudo se formos em viagem, com guias, e parece que o nosso olhar se contenta vendo o todo, mas, na realidade assim não é, porque os nossos olhos, e antes de qualquer outro órgão/sentido, embora o tato venha logo a seguir, emitem e recebem mensagens, sensações, que só eles sabem fazer e que só a eles pertencem. O nosso olhar pede detalhe, pormenor, melhor dizendo, e não usando um estrangeirismo, visto que a palavra detalhe, détail, é de origem francesa. Resumindo, o nosso olhar quer, fica completo e rendido ao principal, ao melhor, em primeiro lugar, e só depois, ao todo.
    A frase que o Engenheiro Nuno Correia, criador deste blogue, escolheu, "É preciso mais que um olhar para poder ver", é o exemplo mais que perfeito do que acabo de afirmar, porque olhar não é ver.

    E para fazer "o gostinho ao dedo", ao meu, deixo aqui um bocadinho de História sobre a catedral de Notre-Dame. Para quem já sabe, há sempre um pormenor de que nos esquecemos, e para quem sabe menos, é valor acrescentado.
    Esta catedral situa-se em Paris, na ilha, na Île de la Cité, rodeada pelas águas do rio Sena, e a sua construção teve início no século XII e findou nos meados do século XIV. Foi e é dedicada a Maria, Nossa Mãe, Nossa Senhora, (Notre-Dame), é das mais antigas, de estilo gótico, mas não é a maior, embora se tenha tornado emblemática devido à sua beleza interior e exterior e a acontecimentos ímpares e muito importantes, tais como a coroação do Imperador Napoleão Bonaparte e a beatificação de Joana D' Arc.
    As paredes grossas, rústicas e pesadas do estilo românico foram, aqui, substituídas por colunas altas e elegantes arcos, que sustentam, na perfeição, o peso dos telhados. As janelas são amplas e altas, decoradas com belíssimos vitrais multicolores, que deixam passar a luz natural, de forma única, digna de reflexão e até de um certo misticismo.
    A Catedral de Notre-Dame foi sofrendo, ao longo dos tempos transformações, mas as mais profundas, no sentido negativo do termo, as mais horrendas, tiveram lugar no reinado do louco Rei-Sol (era ele que se julgava, assim), Luís XIV, que mandou destruir os túmulos e os vitrais, para os substituir por elementos à sua maneira, rebuscadíssimos, pirosos, mesmo, a meu ver, integrados no estilo Barroco, na sua forma mais exuberante.
    Durante a Revolução Francesa, mais elementos e partes da catedral foram destruídos, e os tesouros roubados, acabando o espaço por ser convertido num enorme armazém, onde se guardavam alimentos.
    As revoluções, pacíficas, de preferência, são necessárias, por vezes, mas atrocidades e atentados deste género são destituídos de qualquer coerência, razão e fundamento lógico, mas os revolucionários não olham a meios para atingir os seus fins.

    (Continua...)

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  2. Boa noite, Céu.
    Obrigado pela descrição, pelos detalhes.
    Boa semana.

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  3. Graças a Deus, e com o aparecimento do Romantismo, as mentes e atuações serenaram, e o olhar dos que ainda discerniam, voltou-se para a glória e brilho do passado. Sob esta NOVA LUZ, inicia-se o restauro da catedral em meados do século XIX, feito por importantes arquitetos da época, e que durou quase 25 anos.
    Com a ascensão da "célebre" Comuna de Paris, a catedral, "pobrezinha", foi mais uma vez palco de turbulências, furtos, destruições e quase incendiada (não há fontes concretas, documentos, por exemplo, que possam tornar verdadeira esta afirmação, porque a História não é uma ciência exata).
    Nos anos 60, do século passado, fizeram-se lá escavações, para ser construído um parque subterrâneo na praça da catedral, e foram encontradas catacumbas (corredores onde os cristãos rezavam, antes de lhes ter sido dada liberdade de culto, pelo Imperador romano, de nome Constantino, que se converteu e professou o Cristianismo, também) e habitações medievais.
    Já na década de 90 foi iniciado um outro restauro e manutenção da catedral, que estava previsto demorar dez anos, mas, não sei se já está concluído ou não. O Nuno, saberá, decerto, responder-nos.

    Durante o período Romântico, o escritor de origem francesa, Vítor Hugo, escreveu o romance "Notre-Dame de Paris", "O Corcunda de Notre-Dame", cuja ação se passa na Idade Média, tendo a catedral como cenário principal. O autor, nesta obra, faz uma acérrima crítica à sociedade parisiense, sobretudo às classes mais ricas e elitistas, apresentando através das personagens marginalizadas, ciganos e deficientes, a indiferença, e o repúdio a que eram votadas e de que eram vítimas.
    É neste contexto e neste romance que surge uma personagem, de nome, Quasímodo, que era corcunda de nascença e que tinha sobre a vista direita uma grande verruga, e que por estes motivos, foi abandonado pela família num domingo de Páscoa (para que deu Deus, Seu filho, Jesus Cristo?). Foi adotado por um homem com dinheiro e poder, mas que fez dele "gato sapato". Pô-lo como sineiro, e devido ao som tão elevado dos fabulosos sinos da catedral, Quasímodo ficou surdo. Não obstante, apaixona-se, perdidamente, por uma cigana muito bonita, como nunca tivera visto antes, mulher alguma, de nome Esmeralda e a quem salvou quando esta se preparava para cometer um assassinato. A história deles é muito interessante e apelativa. Vale a pena, ler.
    Vítor Hugo, no seu romance, quis fazer da CATEDRAL DE NOTRE-DAME, refúgio, abrigo, para todos os marginalizados, ou que se sentem, como tal. E aqui, mostra-se, revela-se, solta-se sem amarras as características HUMANISTAS DO NUNO CORREIA, que tanto aprecio, e que, por vezes, podem ser entendidas, confundidas com rebeldia. Não é. É antes, ESPÍRITO DE JUSTIÇA, FRATERNIDADE E SOLIDARIEDADE.

    Desculpe Nuno, a extensão do meu comentário, mas há tanto para dizer sobre esta catedral e sobre o seu Corcunda, que não consegui sintetizar mais.

    Deixo ao cuidado dos Senhores Arquitetos e dos Senhores Engenheiros, que, em geral, nunca se entendem, sei do que falo, os aspetos específicos da Arte e da Construção, porque não gosto, nem sei "meter foice em seara alheia", embora seja alentejana.

    Obrigada pela paciência da sua leitura.

    Beijos, afetuosamente.

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  4. Olá, Nuno!

    De nada. Aliás, não me pediu que fizesse descrição nenhuma. Fui eu que decidi e deu-me mto prazer fazê-la
    Bem, pode dizer "detalhes", pke está em França, mas qdo chegar cá, diga, pormenores, sim, porque é a palavra portuguesa, k lhe corresponde.

    Já estamos a meio da semana, mas continuação de boa semana, também para si.

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  5. Boa noite, Emília.
    Não conhecia todos os pormenores que mencionou, sempre a aprender consigo.
    Só uma nota, em vez de ''peso dos telhados'' ficaria melhor escrever (cargas da cobertura) ;)
    Beijos, bom fim de semana.


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  6. Olá, Nuno!

    Sempre a aprender consigo, também. Cargas da cobertura (acho k os arquitetos não lhe chamam "isso", mas eles tb não estão, sempre, na "obra", só a idealizam, e há cada idealização!), mas muito obrigada pela forma correta k me sugeriu, e k vou tentar usar sempre k se justifique, e tenha capacidade para me lembrar.

    Beijos e bom fim de semana, também.

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