domingo, 14 de junho de 2015



Consciente do brutal impacto sabia que aquele instante teria mudado tudo para sempre, consegui dizer o meu nome, que idade tinha e de onde era, mexer os dedos dos meus pés e até das mãos, sentia o sabor a sangue na minha boca e ao mesmo tempo sentia acima de tudo que afinal a minha vida não tinha rigorosamente importância nenhuma.


segunda-feira, 9 de março de 2015

quinta-feira, 5 de março de 2015

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Imagens desfocadas presentes na minha memoria.


Fundação Serralves / 19-12-2009

 Imagens desfocadas presentes na minha memoria.

Não sei onde em 18-02-2011


Não sei onde em 18-02-2011


Gérard Castello Lopes

A fotografia é uma forma de ficção. É ao mesmo tempo um registo da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira.



domingo, 8 de fevereiro de 2015

Gretz - Presles-en-Brie - Liverdy-en-Brie - Neufmoutiers-en-Brie









Porque a vida esta lá fora, eu e a nova namorada fomos passear.
Vimos tantas coisas, ela parece ter gostado, prometi-lhe um dia 
fazermos uma grande viagem.


                                                                                        

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sonho Impossível


Eu tenho uma espécie de dever
de dever de sonhar
de sonhar sempre,
pois, sendo mais que uma espectadora de mim mesma
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas,
invento palco, cenário
para viver o meu sonho,
entre luzes brandas e músicas invisíveis.

Sonho impossível

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"





quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

Cântico Negro



Cântico Negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015


Deslumbras Paris.






Começo a compreender agora melhor esta mulher Cidade, 
A forma como adormece e acorda nos seus dias mais calmos ou agitados.
A forma como veste em cada uma das estações.
A forma como vive e passa os seus dias quando estou com ela.
Deslumbras Paris.





terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O Sol Préguntou À Lua



O Sol préguntou à Lua
O Sol préguntou à Lua

Quando a
Quando a vera amanhecer

Quando a
Quando a vera amanhecer

INSTRUMENTAL

Dos olhos teus
À vista dos olhos teus
À vista

Que vem o Sol cá fazer
Que vem
Que vem o Sol cá fazer

E o Sol préguntou à Lua
Quando a vera amanhecer

Lábios pego os olhos teus
Que vem o Sol cá fazer

E o Sol préguntou à Lua
Quando a vera amanhecer

Lábios pego os olhos teus
Que vem o Sol cá fazer

INSTRUMENTAL

O Sol préguntou à Lua
O Sol préguntou à Lua

Quando a
Quando a vera amanhecer

Quando a
Quando a vera amanhecer

INSTRUMENTAL

Dos olhos teus
À vista dos olhos teus
À vista

Que vem o Sol cá fazer
Que vem
Que vem o Sol cá fazer

Adriano Correia de Oliveira

sábado, 10 de janeiro de 2015

Mar


30-12-14 Atlântico

Só tu sabes adormecer a minha vida.
Assim a olhar para ti
para a tua imensidão, para a tua beleza.
Com a tua voz de embalar.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015


12.14 - Pico do Areeiro - Madeira

«Se pudesse ter uma vida paralela, gostaria de ter a vida de um caracol, carregando comigo a casa e plantando-a onde houvesse sol e silêncio, onde houvesse mar e espaço, onde houvesse tempo e distância. Há momentos assim na vida, em que nos sentimos tão próximos da beleza e da verdade que tudo o resto parece irremediavelmente fútil.
Acredito, pelo que aprendi experimentando, que viver é largar e seguir em frente. Mesmo que em frente esteja apenas o incerto, o desconhecido, o não vivido. Aprendi também que vemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais enxerga. Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos para dentro de nós, primeiro que tudo»

Miguel Sousa Tavares