quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

Cântico Negro



Cântico Negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015


Deslumbras Paris.






Começo a compreender agora melhor esta mulher Cidade, 
A forma como adormece e acorda nos seus dias mais calmos ou agitados.
A forma como veste em cada uma das estações.
A forma como vive e passa os seus dias quando estou com ela.
Deslumbras Paris.





terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O Sol Préguntou À Lua



O Sol préguntou à Lua
O Sol préguntou à Lua

Quando a
Quando a vera amanhecer

Quando a
Quando a vera amanhecer

INSTRUMENTAL

Dos olhos teus
À vista dos olhos teus
À vista

Que vem o Sol cá fazer
Que vem
Que vem o Sol cá fazer

E o Sol préguntou à Lua
Quando a vera amanhecer

Lábios pego os olhos teus
Que vem o Sol cá fazer

E o Sol préguntou à Lua
Quando a vera amanhecer

Lábios pego os olhos teus
Que vem o Sol cá fazer

INSTRUMENTAL

O Sol préguntou à Lua
O Sol préguntou à Lua

Quando a
Quando a vera amanhecer

Quando a
Quando a vera amanhecer

INSTRUMENTAL

Dos olhos teus
À vista dos olhos teus
À vista

Que vem o Sol cá fazer
Que vem
Que vem o Sol cá fazer

Adriano Correia de Oliveira

sábado, 10 de janeiro de 2015

Mar


30-12-14 Atlântico

Só tu sabes adormecer a minha vida.
Assim a olhar para ti
para a tua imensidão, para a tua beleza.
Com a tua voz de embalar.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015


12.14 - Pico do Areeiro - Madeira

«Se pudesse ter uma vida paralela, gostaria de ter a vida de um caracol, carregando comigo a casa e plantando-a onde houvesse sol e silêncio, onde houvesse mar e espaço, onde houvesse tempo e distância. Há momentos assim na vida, em que nos sentimos tão próximos da beleza e da verdade que tudo o resto parece irremediavelmente fútil.
Acredito, pelo que aprendi experimentando, que viver é largar e seguir em frente. Mesmo que em frente esteja apenas o incerto, o desconhecido, o não vivido. Aprendi também que vemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais enxerga. Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos para dentro de nós, primeiro que tudo»

Miguel Sousa Tavares